03/01/2009 01:41:00
O Dia On Line
Somadas, bônus por metas e área de risco podem ultrapassar 50%
Amanda Pinheiro Rio -
Apesar da escassez de verba este ano preocupar os novos secretários municipais, Cláudia Costin, da Educação, afirmou que os professores que trabalham em área de risco deverão receber bônus de 40% sobre o salário, além dos 10% do adicional de localidade já pagos atualmente. Outra medida para incentivar o desempenho em sala de aula será o pagamento de bônus por produtividade. Aqueles que atingirem a meta de alfabetização estipulada pela secretaria receberão gratificação entre 10% e 15% do salário no fim do ano. Mais: se esses profissionais trabalharem em áreas de risco, sua gratificação pode crescer mais 40%. Os percentuais estão em estudo. Com os adicionais e bônus, os pisos do magistério, que variam entre R$ 785 a R$ 981, poderão chegar a R$ 1.600. “Seremos muito criteriosos com cada centavo gasto. A gratificação faz parte das prioridades”, disse a secretária, que prometeu empossar concursados que não foram chamados. As metas de avaliação ainda serão definidas, mas Cláudia Costin adiantou que os critérios adotados serão o número de alunos aprovados, queda na evasão e assimilação do conteúdo. Das 1.600 escolas e 300 creches do município, 10% delas (190) estão nessas áreas. De acordo com o Instituto Pereira Passos (IPP), as unidades estão em seis bairros: Penha, Ramos, Ilha do Governador, Pavuna, Anchieta e Méier. DEVASSA NOS CONTRATOS DE EDUCAÇÃOA pedido do chefe da Casa Civil, Pedro Paulo Teixeira, a secretária municipal de Educação, Cláudia Costin, determinou uma devassa nos contratos de merenda, transporte escolar e de todos os outros serviços de empresas privadas contratados durante a gestão de Cesar Maia. Os gastos com a alimentação dos alunos no penúltimo ano de governo do ex-prefeito democrata foram os mais criticados nas auditorias do Tribunal de Contas do Município (TCM). Educação e Saúde, no entanto, foram poupados da ordem de reduzir em 20% os custos contratuais, conforme orientação da Casa Civil, mas não estão livres da revisão. “Somos a maior rede municipal escolar da América Latina. São contratos de valores muito altos, por isso teremos o maior cuidado ao analisá-los”, explicou a secretária Cláudia Costin.
sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009
quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009
Censo 2007: as dez maiores universidades do Brasil
http://oglobo.globo.com/blogs/educacao/post.asp?t=censo-2007-as-dez-maiores-universidades-do-brasil&cod_Post=158866&a=364
O Brasil tinha 2.281 instituições de ensino superior em 2007, mostra o Censo da Educação Superior divulgado esta semana pelo MEC. O número de instituições aumentou apenas 0,5%, em relação a 2006. Foi a mais baixa taxa de crescimento dos últimos anos. Em 2006, a expansão atingiu 4,8%; em 2005, 7,6%; em 2004, 8,3%; e em 2003, 13,6%. O Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), órgão do MEC responsável pelo censo, lembra que o setor privado passa por fusões, o que poderia explicar a pequena variação no número de instituições (foram criadas apenas 11 em 2007). Tanto que, em termos de matrículas, o ensino superior cresceu bem mais: 4,4% (5% no setor privado). Seguem as dez maiores universidades do país em número de alunos: 1. Universidade Paulista (Unip) - SP: 145.498 2. Universidade Estácio de Sá - RJ: 116.959 3. Universidade Nove de Julho - SP: 84.398 4. Universidade Bandeirante de São Paulo (Uniban) - SP: 69.074 5. Universidade Presidente Antônio Carlos - MG: 57.291 6. Universidade de São Paulo (USP) - SP: 49.774 7. Universidade Salgado de Oliveira (Universo) - RJ: 47.853 8. Universidade Luterana do Brasil (Ulbra) - RS: 43.620 9. Universidade Estadual Paulista (Unesp) - SP: 32.204 10. Universidade Federal do Pará - PA: 32.092
O Brasil tinha 2.281 instituições de ensino superior em 2007, mostra o Censo da Educação Superior divulgado esta semana pelo MEC. O número de instituições aumentou apenas 0,5%, em relação a 2006. Foi a mais baixa taxa de crescimento dos últimos anos. Em 2006, a expansão atingiu 4,8%; em 2005, 7,6%; em 2004, 8,3%; e em 2003, 13,6%. O Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), órgão do MEC responsável pelo censo, lembra que o setor privado passa por fusões, o que poderia explicar a pequena variação no número de instituições (foram criadas apenas 11 em 2007). Tanto que, em termos de matrículas, o ensino superior cresceu bem mais: 4,4% (5% no setor privado). Seguem as dez maiores universidades do país em número de alunos: 1. Universidade Paulista (Unip) - SP: 145.498 2. Universidade Estácio de Sá - RJ: 116.959 3. Universidade Nove de Julho - SP: 84.398 4. Universidade Bandeirante de São Paulo (Uniban) - SP: 69.074 5. Universidade Presidente Antônio Carlos - MG: 57.291 6. Universidade de São Paulo (USP) - SP: 49.774 7. Universidade Salgado de Oliveira (Universo) - RJ: 47.853 8. Universidade Luterana do Brasil (Ulbra) - RS: 43.620 9. Universidade Estadual Paulista (Unesp) - SP: 32.204 10. Universidade Federal do Pará - PA: 32.092
Procuram-se professores
Editorial – Jornal do Brasil
EDUCAÇÃO
O ASSUNTO VOLTA E MEIA retorna ao foco, e seria insensatez escapar dele: os dilemas e dificuldades impostos à educação brasileira. Já há algum tempo havia a constatação pelas secretarias municipais e estaduais, e mesmo pelas escolas particulares, da carência de professores para determinadas disciplinas, como a física, de 5ª a 8ª série e do ensino médio. Carência não nos quadros, pois não adianta fazer concurso ou abrir vagas, porque eles não aparecem. Carência no mercado, pura e simplesmente. Agora o problema chega à frieza dos números. O recém-divulgado Censo de Educação Superior, feito pelo Ministério da Educação (MEC), mostra que pelo segundo ano consecutivo caiu o número de universitários formados nas disciplinas específicas para o magistério. Em 2007, formaram-se 70.507 professores, 4,5% a menos do que em 2006 e 9,3% a menos do que em 2005. As maiores quedas ocorreram em ciências sociais, letras, geografia, química e filosofia. Para suprir essa carência, criou-se uma distorção paralela à de idade-série do aluno: a de formação/prática do professor. De acordo com a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal do Nível Superior (Capes), também do MEC, há 300 mil professores com "desvio de conteúdo", dando aulas em disciplinas nas quais não se formaram. Voltando ao exemplo da física, a carência é suprida por matemáticos. Ou professores de história que dão aula de geografia. O diagnóstico para o problema é invariável: baixos salários e a conseqüente pouca valorização da profissão, que joga a auto-estima do profissional no chão. O quadro se agrava com a desaceleração da abertura de instituições de ensino, principalmente particulares, depois de 10 anos de expansão. Apesar de essas instituições serem voltadas para cursos de formação de profissionais de rápida absorção pelo mercado de trabalho, é mais um dado preocupante. O ritmo de abertura de cursos presenciais nas instituições já existentes também caiu, em favor dos cursos a distância, em geral dirigidos para estudantes já fora da idade regulamentar e longe dos grandes centros, não necessariamente para a formação de professores. O MEC anuncia planos de longo prazo, como a expansão das universidades federais, a criação de 28 institutos tecnológicos, acordos com 19 estados para capacitação de 360 mil professores públicos e a bolsa de iniciação à docência. Mas e os salários? Estão abaixando mais ainda. No Rio, por exemplo, o prefeito Eduardo Paes acaba de alterar a política salarial de 30% dos servidores. Não teve alternativa, sob o risco de enfrentar, ainda no primeiro ano de governo, restrições da Lei de Responsabilidade Fiscal para contratar funcionários e mesmo à possibilidade de ser obrigado a demitir. Paes cancelou um decreto de Cesar Maia que vinculava o percentual de reajuste ao salário mínimo de servidores com cargos de nível médio e fundamental. Quase todos os funcionários passarão a receber aumentos inferiores aos que vinham obtendo até então. O contexto é de crise econômica internacional, com seqüelas inevitáveis sobre o país. Além da falta de dinheiro, essa crise nos remete à baixa escolaridade do trabalhador brasileiro, queixa recorrente do próprio empresariado. E assim o círculo vicioso vai girando e se tornando cada vez mais viciado.
EDUCAÇÃO
O ASSUNTO VOLTA E MEIA retorna ao foco, e seria insensatez escapar dele: os dilemas e dificuldades impostos à educação brasileira. Já há algum tempo havia a constatação pelas secretarias municipais e estaduais, e mesmo pelas escolas particulares, da carência de professores para determinadas disciplinas, como a física, de 5ª a 8ª série e do ensino médio. Carência não nos quadros, pois não adianta fazer concurso ou abrir vagas, porque eles não aparecem. Carência no mercado, pura e simplesmente. Agora o problema chega à frieza dos números. O recém-divulgado Censo de Educação Superior, feito pelo Ministério da Educação (MEC), mostra que pelo segundo ano consecutivo caiu o número de universitários formados nas disciplinas específicas para o magistério. Em 2007, formaram-se 70.507 professores, 4,5% a menos do que em 2006 e 9,3% a menos do que em 2005. As maiores quedas ocorreram em ciências sociais, letras, geografia, química e filosofia. Para suprir essa carência, criou-se uma distorção paralela à de idade-série do aluno: a de formação/prática do professor. De acordo com a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal do Nível Superior (Capes), também do MEC, há 300 mil professores com "desvio de conteúdo", dando aulas em disciplinas nas quais não se formaram. Voltando ao exemplo da física, a carência é suprida por matemáticos. Ou professores de história que dão aula de geografia. O diagnóstico para o problema é invariável: baixos salários e a conseqüente pouca valorização da profissão, que joga a auto-estima do profissional no chão. O quadro se agrava com a desaceleração da abertura de instituições de ensino, principalmente particulares, depois de 10 anos de expansão. Apesar de essas instituições serem voltadas para cursos de formação de profissionais de rápida absorção pelo mercado de trabalho, é mais um dado preocupante. O ritmo de abertura de cursos presenciais nas instituições já existentes também caiu, em favor dos cursos a distância, em geral dirigidos para estudantes já fora da idade regulamentar e longe dos grandes centros, não necessariamente para a formação de professores. O MEC anuncia planos de longo prazo, como a expansão das universidades federais, a criação de 28 institutos tecnológicos, acordos com 19 estados para capacitação de 360 mil professores públicos e a bolsa de iniciação à docência. Mas e os salários? Estão abaixando mais ainda. No Rio, por exemplo, o prefeito Eduardo Paes acaba de alterar a política salarial de 30% dos servidores. Não teve alternativa, sob o risco de enfrentar, ainda no primeiro ano de governo, restrições da Lei de Responsabilidade Fiscal para contratar funcionários e mesmo à possibilidade de ser obrigado a demitir. Paes cancelou um decreto de Cesar Maia que vinculava o percentual de reajuste ao salário mínimo de servidores com cargos de nível médio e fundamental. Quase todos os funcionários passarão a receber aumentos inferiores aos que vinham obtendo até então. O contexto é de crise econômica internacional, com seqüelas inevitáveis sobre o país. Além da falta de dinheiro, essa crise nos remete à baixa escolaridade do trabalhador brasileiro, queixa recorrente do próprio empresariado. E assim o círculo vicioso vai girando e se tornando cada vez mais viciado.
segunda-feira, 5 de janeiro de 2009
Lula sanciona lei que cria 38 novos institutos federais de educação
29/12/2008 18:04:00 - O Dia
Débora Thomé
Brasília - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, sancionou nesta segunda-feira, dia 29, a lei que cria 38 institutos federais de educação, ciência e tecnologia no país. Com os institutos, presentes em todos os estados, aumenta o número de vagas em cursos técnicos de nível médio, em licenciaturas e em cursos superiores de tecnologia. A Rede Federal de Educação Profissional, Científica e Tecnológica - formada pelos centros federais de educação tecnológica (Cefets), escolas agrotécnicas federais e escolas técnicas vinculadas a universidades - nasce com 168 campi e chegará a 2010 com 311. No mesmo período, as vagas serão ampliadas de 215 mil para 500 mil.
Os institutos oferecerão metade das vagas ao ensino médio integrado ao profissional, para dar ao jovem uma possibilidade de formação já nessa etapa do ensino. Na educação superior haverá destaque para os cursos de engenharias e bacharelados tecnológicos (30% das vagas). Outros 20% serão reservados a licenciaturas em ciências da natureza — o Brasil apresenta grande déficit de professores em física, química, matemática e biologia. Ainda serão incentivadas as licenciaturas de conteúdos específicos da educação profissional e tecnológica, como a formação de professores de mecânica, eletricidade e informática.
Os institutos terão forte inserção na área de pesquisa e extensão para estimular o desenvolvimento de soluções técnicas e tecnológicas e estender os benefícios à comunidade. Eles terão autonomia, nos limites da área de atuação territorial, para criar e extinguir cursos e para registrar os diplomas. Ainda exercerão o papel de instituições acreditadoras e certificadoras de competências profissionais. Cada instituto é organizado em estrutura com vários campi e proposta orçamentária anual identificada para cada campus e reitoria.
"Estamos oferecendo ao país um novo modelo de instituição de educação profissional e tecnológica, aproveitando o potencial da rede existente. Os institutos responderão de forma mais ágil e eficaz às demandas crescentes por formação de recursos humanos, difusão de conhecimentos científicos e suporte aos arranjos produtivos locais", disse Eliezer Pacheco, secretário de Educação Profissional e Tecnológica do Ministério da Educação. Os institutos integram o Plano de Desenvolvimento da Educação (PDE).
Débora Thomé
Brasília - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, sancionou nesta segunda-feira, dia 29, a lei que cria 38 institutos federais de educação, ciência e tecnologia no país. Com os institutos, presentes em todos os estados, aumenta o número de vagas em cursos técnicos de nível médio, em licenciaturas e em cursos superiores de tecnologia. A Rede Federal de Educação Profissional, Científica e Tecnológica - formada pelos centros federais de educação tecnológica (Cefets), escolas agrotécnicas federais e escolas técnicas vinculadas a universidades - nasce com 168 campi e chegará a 2010 com 311. No mesmo período, as vagas serão ampliadas de 215 mil para 500 mil.
Os institutos oferecerão metade das vagas ao ensino médio integrado ao profissional, para dar ao jovem uma possibilidade de formação já nessa etapa do ensino. Na educação superior haverá destaque para os cursos de engenharias e bacharelados tecnológicos (30% das vagas). Outros 20% serão reservados a licenciaturas em ciências da natureza — o Brasil apresenta grande déficit de professores em física, química, matemática e biologia. Ainda serão incentivadas as licenciaturas de conteúdos específicos da educação profissional e tecnológica, como a formação de professores de mecânica, eletricidade e informática.
Os institutos terão forte inserção na área de pesquisa e extensão para estimular o desenvolvimento de soluções técnicas e tecnológicas e estender os benefícios à comunidade. Eles terão autonomia, nos limites da área de atuação territorial, para criar e extinguir cursos e para registrar os diplomas. Ainda exercerão o papel de instituições acreditadoras e certificadoras de competências profissionais. Cada instituto é organizado em estrutura com vários campi e proposta orçamentária anual identificada para cada campus e reitoria.
"Estamos oferecendo ao país um novo modelo de instituição de educação profissional e tecnológica, aproveitando o potencial da rede existente. Os institutos responderão de forma mais ágil e eficaz às demandas crescentes por formação de recursos humanos, difusão de conhecimentos científicos e suporte aos arranjos produtivos locais", disse Eliezer Pacheco, secretário de Educação Profissional e Tecnológica do Ministério da Educação. Os institutos integram o Plano de Desenvolvimento da Educação (PDE).
domingo, 7 de dezembro de 2008
Professores podem ter 2ª licenciatura em menos tempo
Fonte: Folha de São Paulo 05.12.2008
Professores da rede pública sem formação na área em que lecionam poderão fazer uma licenciatura em tempo menor do que o regular, segundo resolução aprovada ontem no Conselho Nacional de Educação. A resolução permite que docente obtenha titulação com 800 horas contra 2.800 de curso regular. Só vale, porém, para professores que já possuem uma licenciatura e que estejam em atividade há pelo menos três anos
Para vigorar, o texto precisa ser homologado pelo ministro da Educação, Fernando Haddad, o que pode ocorrer nas próximas semanas, já que o próprio MEC pediu a elaboração de diretrizes para obtenção da segunda licenciatura.
A norma pode beneficiar aproximadamente 300 mil professores do ensino básico que dão aula em área diferente da qual se formaram.
A resolução estabelece que um professor que dá aulas em disciplina próxima da área em que se formou pode receber diploma de outra área depois de 800 horas de curso em uma universidade pública -um matemático que dá aula de física, por exemplo. Caso não haja proximidade entre as disciplinas - letras e química, por exemplo- , a carga horária subiria para 1.400 horas.
Nos dois casos, estão previstas ainda 200 horas de estágio supervisionado.
A duração mínima de um curso de licenciatura atualmente é de 2.800 horas, das quais 300 podem ser em estágio supervisionado. Com isso, um professor com outra formação depende da avaliação de cada universidade para reduzir a carga horária se tiver cursado disciplinas iguais.
A resolução estabelece que a possibilidade de uma segunda graduação só valeria para os docentes com algum diploma de licenciatura e em atividade há pelo menos três anos. Para isso, as universidades públicas teriam que oferecer turmas específicas para eles.
De acordo com Clélia Brandão, presidente do CNE, a orientação é que os cursos ensinem tanto conhecimentos específicos da área como aspectos didático-pedagógicos.
Ela nega que o texto torne mais precária a formação do professor. A idéia, afirma Brandão, é valorizar a experiência que o professor já tem na matéria em que leciona.
Medida com prazo
A resolução aprovada ontem prevê que a possibilidade de dupla licenciatura seja válida apenas para os próximos três anos. Depois desse prazo, o impacto da resolução seria avaliado, e caberia ao Ministério da Educação pedir que ele fosse prorrogado ou não.
O presidente da CNTE (Confederação Nacional dos Trabalhadores de Educação), Roberto Leão, disse defender, em tese, que os professores lecionem somente nas áreas em que têm formação específica. Ele disse, no entanto, que aceita a solução adotada pelo CNE devido ao caráter "emergencial" da formação de professores no Brasil.
Professores da rede pública sem formação na área em que lecionam poderão fazer uma licenciatura em tempo menor do que o regular, segundo resolução aprovada ontem no Conselho Nacional de Educação. A resolução permite que docente obtenha titulação com 800 horas contra 2.800 de curso regular. Só vale, porém, para professores que já possuem uma licenciatura e que estejam em atividade há pelo menos três anos
Para vigorar, o texto precisa ser homologado pelo ministro da Educação, Fernando Haddad, o que pode ocorrer nas próximas semanas, já que o próprio MEC pediu a elaboração de diretrizes para obtenção da segunda licenciatura.
A norma pode beneficiar aproximadamente 300 mil professores do ensino básico que dão aula em área diferente da qual se formaram.
A resolução estabelece que um professor que dá aulas em disciplina próxima da área em que se formou pode receber diploma de outra área depois de 800 horas de curso em uma universidade pública -um matemático que dá aula de física, por exemplo. Caso não haja proximidade entre as disciplinas - letras e química, por exemplo- , a carga horária subiria para 1.400 horas.
Nos dois casos, estão previstas ainda 200 horas de estágio supervisionado.
A duração mínima de um curso de licenciatura atualmente é de 2.800 horas, das quais 300 podem ser em estágio supervisionado. Com isso, um professor com outra formação depende da avaliação de cada universidade para reduzir a carga horária se tiver cursado disciplinas iguais.
A resolução estabelece que a possibilidade de uma segunda graduação só valeria para os docentes com algum diploma de licenciatura e em atividade há pelo menos três anos. Para isso, as universidades públicas teriam que oferecer turmas específicas para eles.
De acordo com Clélia Brandão, presidente do CNE, a orientação é que os cursos ensinem tanto conhecimentos específicos da área como aspectos didático-pedagógicos.
Ela nega que o texto torne mais precária a formação do professor. A idéia, afirma Brandão, é valorizar a experiência que o professor já tem na matéria em que leciona.
Medida com prazo
A resolução aprovada ontem prevê que a possibilidade de dupla licenciatura seja válida apenas para os próximos três anos. Depois desse prazo, o impacto da resolução seria avaliado, e caberia ao Ministério da Educação pedir que ele fosse prorrogado ou não.
O presidente da CNTE (Confederação Nacional dos Trabalhadores de Educação), Roberto Leão, disse defender, em tese, que os professores lecionem somente nas áreas em que têm formação específica. Ele disse, no entanto, que aceita a solução adotada pelo CNE devido ao caráter "emergencial" da formação de professores no Brasil.
sexta-feira, 14 de novembro de 2008
'Acordo facilita relação entre Igreja e Estado'
O Estado de São Paulo
Para arcebispo de São Paulo, reconhecimento jurídico é grande avanço
José Maria Mayrink
O cardeal-arcebispo de São Paulo, d. Odilo Scherer, afirmou, em entrevista coletiva, que a grande novidade do acordo assinado ontem pelo Brasil com a Santa Sé, em Roma, é o reconhecimento jurídico da Igreja Católica, uma questão pendente desde a proclamação da República.“Embora estivesse em vigor um decreto provisório assinado em 1890, que estabelecia a laicidade do Estado, a Igreja queria ter mais clareza sobre questões como a liberdade religiosa e a não discriminação de religiões”, disse o cardeal, ao fazer uma análise do documento. Os 20 artigos do acordo, segundo d. Odilo, vão facilitar a convivência da Igreja com o Estado brasileiro, porque põem no papel, com carimbo oficial, uma série de práticas até agora não reconhecidas formalmente. O acordo assinado no Vaticano entrará em vigor quando for ratificado pelo Congresso. D. Odilo citou como uma das conquistas do documento o espaço garantido ao ensino religioso, “católico e de outras confissões religiosas”, nas escolas públicas de ensino fundamental. “O artigo 11, que trata dessa questão, é um avanço, porque favorece todas as religiões”, disse o cardeal.“O acordo foi assinado pela Igreja Católica, mas outras confissões religiosas poderão seguir o mesmo caminho, se quiserem negociar com o Estado”, acrescentou. Segundo o arcebispo, outras igrejas não participaram das negociações que levaram ao acordo assinado no Vaticano. O ensino religioso é garantido pelo texto do documento, que o reconhece como um direito confessional plural, mas a aplicação do que foi acertado vai depender de regulamentação estadual. D. Odilo informou que tem havido dificuldades nesse ponto em alguns Estados, incluindo São Paulo, “onde falta ainda dar alguns passos para definir como o ensino religioso pode ser ministrado”.Os governos estaduais deverão decidir, por exemplo, quem vai ensinar matéria religiosa, credenciando para isso professores apresentados por cada religião - seja cristã, judaica, muçulmana ou de outros credos. Quem não deseja ter ensino religioso tem o direito de não freqüentar as aulas de religião, de matrícula facultativa.D. Odilo apontou como outra conquista as duas linhas do artigo 13, pelo qual “é garantido o segredo do ofício sacerdotal, especialmente o da confissão sacramental”. Isso significa que, na hipótese de ser interrogado por um tribunal, o padre pode se recusar a fazer revelações sobre questões das quais tomou conhecimento no sigilo do confessionário.
Para arcebispo de São Paulo, reconhecimento jurídico é grande avanço
José Maria Mayrink
O cardeal-arcebispo de São Paulo, d. Odilo Scherer, afirmou, em entrevista coletiva, que a grande novidade do acordo assinado ontem pelo Brasil com a Santa Sé, em Roma, é o reconhecimento jurídico da Igreja Católica, uma questão pendente desde a proclamação da República.“Embora estivesse em vigor um decreto provisório assinado em 1890, que estabelecia a laicidade do Estado, a Igreja queria ter mais clareza sobre questões como a liberdade religiosa e a não discriminação de religiões”, disse o cardeal, ao fazer uma análise do documento. Os 20 artigos do acordo, segundo d. Odilo, vão facilitar a convivência da Igreja com o Estado brasileiro, porque põem no papel, com carimbo oficial, uma série de práticas até agora não reconhecidas formalmente. O acordo assinado no Vaticano entrará em vigor quando for ratificado pelo Congresso. D. Odilo citou como uma das conquistas do documento o espaço garantido ao ensino religioso, “católico e de outras confissões religiosas”, nas escolas públicas de ensino fundamental. “O artigo 11, que trata dessa questão, é um avanço, porque favorece todas as religiões”, disse o cardeal.“O acordo foi assinado pela Igreja Católica, mas outras confissões religiosas poderão seguir o mesmo caminho, se quiserem negociar com o Estado”, acrescentou. Segundo o arcebispo, outras igrejas não participaram das negociações que levaram ao acordo assinado no Vaticano. O ensino religioso é garantido pelo texto do documento, que o reconhece como um direito confessional plural, mas a aplicação do que foi acertado vai depender de regulamentação estadual. D. Odilo informou que tem havido dificuldades nesse ponto em alguns Estados, incluindo São Paulo, “onde falta ainda dar alguns passos para definir como o ensino religioso pode ser ministrado”.Os governos estaduais deverão decidir, por exemplo, quem vai ensinar matéria religiosa, credenciando para isso professores apresentados por cada religião - seja cristã, judaica, muçulmana ou de outros credos. Quem não deseja ter ensino religioso tem o direito de não freqüentar as aulas de religião, de matrícula facultativa.D. Odilo apontou como outra conquista as duas linhas do artigo 13, pelo qual “é garantido o segredo do ofício sacerdotal, especialmente o da confissão sacramental”. Isso significa que, na hipótese de ser interrogado por um tribunal, o padre pode se recusar a fazer revelações sobre questões das quais tomou conhecimento no sigilo do confessionário.
Violência resulta de decadência das instituições, diz professor da USP
Folha de São Paulo, 13/11/2008 - São Paulo SP
ROBERTO MADUREIRA DA FOLHA RIBEIRÃO
O professor Sérgio Kodato, coordenador do Observatório da Violência e Práticas Exemplares da USP de Ribeirão Preto, afirma que, casos como o de ontem, decorrem da fragilidade do sistema pedagógico. "Grande parte dos alunos não vê sentido na escola. Para esses, a escola virou um grande clube, um local para amigos e paquera." Para ele, a sensação de impunidade nas escolas cria um clima de livre-arbítrio. "[Hoje] não se reprova nem por freqüência nem por nota. O professor não é avaliado. A escola não é avaliada. Leia trechos da entrevista à Folha.
FOLHA - Como o senhor vê o avanço da violência nas escolas públicas?
SÉRGIO KODATO - A violência é fruto da decadência das instituições, principalmente das escolas públicas. As instituições são mecanismos civilizatórios criados para diminuir os conflitos sociais. E quando não cumprem seu papel, vem à tona uma carga de violência. Pesquisas indicam que um terço dos alunos não sabe o que faz na escola. Um grupo grande de alunos não vê sentido na escola. Para esses, a escola virou um clube, um local para esportes, amigos e paquera. Têm ainda aqueles que freqüentam a aula, mas estão "boiando". Os chamados analfabetos funcionais.
FOLHA - A imagem do professor também está desgastada?
KODATO - Além da degradação da infra-estrutura das escolas públicas, houve também uma perda da autoridade da figura do professor e do diretor. Você pode ver que os alunos confrontam, batem nos professores e não se intimidam.
FOLHA - Existe uma sensação de impunidade nas escolas?
KODATO - Hoje, mesmo que o aluno ponha fogo na escola, não acontece nada. No máximo uma transferência. Com a progressão continuada, isso piorou. Deixou a escola pública e o professor completamente sem mecanismos organizadores. Não se reprova nem por freqüência nem por nota. O professor não é avaliado. A escola não é avaliada. Digamos que o professor entregou os pontos. A sensação de impunidade cria um clima de livre-arbítrio, onde se pode tudo.
FOLHA - Qual o principal motivo dessa violência?
KODATO - Percebemos que hoje não há só atos de vandalismo. São atos organizados, planejados, aquilo que na época de movimento estudantil chamávamos de união e organização. A maior vítima das escolas é o processo pedagógico. Perdendo ele, boa parte dos alunos se perde também.
FOLHA - Como a tecnologia pode ajudar a resolver o problema?
KODATO - Em Serrana, no interior de São Paulo, temos um modelo de escola, com métodos modernos e lousas digitalizadas. Resultado: caiu bem a evasão escolar. Mas a escola pública no Brasil ainda funciona base do giz e da lousa.
FOLHA - Como é possível explicar um caso como o de hoje (ontem)?
KODATO - Não se trata de simples vandalismo. São atitudes reativas, um grito contra o modelo que os incomoda. Para os alunos fazerem isso, deve ter tido um histórico de escola ruim, deteriorada e maltratada. É como uma rebelião, como nas "boas" épocas da Febem.
FOLHA - Como a escola deve lidar com alunos problemáticos?
KODATO - A massa de trabalhadores que vê como expectativa de ascensão social a instrução do filho se sente frustrada com o descaso das autoridades com as escolas, que não oferecem perspectiva de futuro. Por isso, a educação de casa, geralmente, não inibe essa reação contra as escolas. Além disso, o Estado trata esses alunos que não conseguem acompanhar [o ensino] cada vez mais como vândalos. Pensa que, se a família não os educa, também não tem a menor obrigação de fazê-lo. Os alunos passam a ser vistos como bandidinhos mesmo.
FOLHA - O senhor é a favor de medidas de segurança nas escolas?
KODATO - Não adianta instalar porta giratória e câmeras. Além de não funcionar, vai colocar os alunos numa situação de prisão. O único jeito de resgatar a potência do professor é dar a ele essa tecnologia que foi desenvolvida. Precisaria de uma revolução nesses termos para acabar com essa violência.
ROBERTO MADUREIRA DA FOLHA RIBEIRÃO
O professor Sérgio Kodato, coordenador do Observatório da Violência e Práticas Exemplares da USP de Ribeirão Preto, afirma que, casos como o de ontem, decorrem da fragilidade do sistema pedagógico. "Grande parte dos alunos não vê sentido na escola. Para esses, a escola virou um grande clube, um local para amigos e paquera." Para ele, a sensação de impunidade nas escolas cria um clima de livre-arbítrio. "[Hoje] não se reprova nem por freqüência nem por nota. O professor não é avaliado. A escola não é avaliada. Leia trechos da entrevista à Folha.
FOLHA - Como o senhor vê o avanço da violência nas escolas públicas?
SÉRGIO KODATO - A violência é fruto da decadência das instituições, principalmente das escolas públicas. As instituições são mecanismos civilizatórios criados para diminuir os conflitos sociais. E quando não cumprem seu papel, vem à tona uma carga de violência. Pesquisas indicam que um terço dos alunos não sabe o que faz na escola. Um grupo grande de alunos não vê sentido na escola. Para esses, a escola virou um clube, um local para esportes, amigos e paquera. Têm ainda aqueles que freqüentam a aula, mas estão "boiando". Os chamados analfabetos funcionais.
FOLHA - A imagem do professor também está desgastada?
KODATO - Além da degradação da infra-estrutura das escolas públicas, houve também uma perda da autoridade da figura do professor e do diretor. Você pode ver que os alunos confrontam, batem nos professores e não se intimidam.
FOLHA - Existe uma sensação de impunidade nas escolas?
KODATO - Hoje, mesmo que o aluno ponha fogo na escola, não acontece nada. No máximo uma transferência. Com a progressão continuada, isso piorou. Deixou a escola pública e o professor completamente sem mecanismos organizadores. Não se reprova nem por freqüência nem por nota. O professor não é avaliado. A escola não é avaliada. Digamos que o professor entregou os pontos. A sensação de impunidade cria um clima de livre-arbítrio, onde se pode tudo.
FOLHA - Qual o principal motivo dessa violência?
KODATO - Percebemos que hoje não há só atos de vandalismo. São atos organizados, planejados, aquilo que na época de movimento estudantil chamávamos de união e organização. A maior vítima das escolas é o processo pedagógico. Perdendo ele, boa parte dos alunos se perde também.
FOLHA - Como a tecnologia pode ajudar a resolver o problema?
KODATO - Em Serrana, no interior de São Paulo, temos um modelo de escola, com métodos modernos e lousas digitalizadas. Resultado: caiu bem a evasão escolar. Mas a escola pública no Brasil ainda funciona base do giz e da lousa.
FOLHA - Como é possível explicar um caso como o de hoje (ontem)?
KODATO - Não se trata de simples vandalismo. São atitudes reativas, um grito contra o modelo que os incomoda. Para os alunos fazerem isso, deve ter tido um histórico de escola ruim, deteriorada e maltratada. É como uma rebelião, como nas "boas" épocas da Febem.
FOLHA - Como a escola deve lidar com alunos problemáticos?
KODATO - A massa de trabalhadores que vê como expectativa de ascensão social a instrução do filho se sente frustrada com o descaso das autoridades com as escolas, que não oferecem perspectiva de futuro. Por isso, a educação de casa, geralmente, não inibe essa reação contra as escolas. Além disso, o Estado trata esses alunos que não conseguem acompanhar [o ensino] cada vez mais como vândalos. Pensa que, se a família não os educa, também não tem a menor obrigação de fazê-lo. Os alunos passam a ser vistos como bandidinhos mesmo.
FOLHA - O senhor é a favor de medidas de segurança nas escolas?
KODATO - Não adianta instalar porta giratória e câmeras. Além de não funcionar, vai colocar os alunos numa situação de prisão. O único jeito de resgatar a potência do professor é dar a ele essa tecnologia que foi desenvolvida. Precisaria de uma revolução nesses termos para acabar com essa violência.
Assinar:
Postagens (Atom)